Hoje a minha Rádio vai falar-vos de uma das minhas histórias da música. Assim tipo palestra sobre alguém cuja história me marcou. Eu ainda vi a preto e branco algumas danças de Nijinsky aquele a quem ouvi chamar de dançarino voador. Por isso me lembrei de vos falar dele.

 

Nijinsky - o Deus da Dança

 

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Este homem fundou Moscovo

 

Em 1967, tinha uma colega de trabalho, numa Direcção da Força Aérea, que andava a tirar um curso para poder concorrer, à então chamada Emissora Nacional. Desse curso, constava a História da Música! Hoje nem do nome dela me recordo e trabalhámos mais de 8 meses juntos! Eu sabia quais eram as lições dela e a seguir, ia ao Centro Cultural Americano e levantava livros a condizer com as suas lições, cheios de fotos a valer e como todos sabem, uma imagem vale por mil palavras.

 

 

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Nijinsky, ajudou a fundir a alma russa

 

Ela ficava doida a estudar tanto. Sonhava vir um dia a integrar os quadros da EN, e, quando se agarrava àquele trabalho extraordinário, eu já sabia tudo o que ela ia estudar! Perguntava-me onde eu tinha as fontes da minha aprendizagem e tive de lhe dizer onde era a minha fonte! Hoje sei, sem sombra de dúvidas, que ali, no CCA foi onde tive a minha principal grande Faculdade e digo-o sem vergonha! Nós não tínhamos nada ou então tínhamos muito pouco e o pouco que havia era quase sem interesse!

Por isso, hoje, muitos anos depois, ainda penso que a grande parte da minha pouca ou muita cultura, conforme os azimutes de cada um, é devida às gentes do Grande Império!

 

Hoje, recordando esses tempos, deixo-vos aqui a história, para mim, do maior bailarino que sempre existiu! Apesar de sempre o ter visto a preto e branco! Vaslav Nijinsky (O Novo Deus da Dança), nasceu em Kiev, na Ucrânia, em 1890. Já os seus pais tinham sido dançarinos célebres, tendo o seu pai sido famoso pela sua virtuosidade e dar saltos enormes. Os Nijinskys tinham a sua própria companhia de dança e trabalhavam através do império russo.

 

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A dança de Nijinsky foi um monumento à grandeza da Rússia

 

 ... O pequeno Nijinsky passou quase toda a sua infância no Cáucaso, onde ia dançando com o seu irmão Stanislav e sua tia Bronislawa, e o pai sabendo da sua propensão para a dança, deu-lhe as primeiras lições.

Aos nove anos, Nijinsky entrou para a Escola Imperial de Dança, em São Petersburgo, onde os seus primeiros professores descobriram o seu talento para a dança. Aos 16 anos quiseram dar-lhe a graduação que lhe permitiria entrar no Teatro Mariinsky, mas ele declinou preferindo concluir o período normal de estudos. Nesta altura ele já tinha sido apodado como a oitava maravilha do Mundo e o Vestris do Norte!

 

Durante os seus anos de estudo ele apareceu no Teatro Mariinsky, primeiro como membro do corpo de ballet e mais tarde como pequena parte interessante. Em Julho de 1907, juntou-se ao Teatro Marinsky como solista. A sua primeira presença foi no ballet, La Source, com a bailarina russa Júlia Sedova como parceira e o público irrompeu imediatamente num entusiasmo selvagem.

Como nobre dançarino ele dançou todas as partes nobres do Teatro Mariinsky e também no Teatro Bolshoi, em Moscovo, onde ele foi um convidado especial. O seu sucesso foi fenomenal!

Em 1909 Sergei Diaghilev, o primeiro assistente do administrador do Teatro Imperial, foi convidado pelo grão-duque Vladimir a organizar uma Companhia de Ballet com os membros dos teatros Mariinsky e Bolshoi; podemos chamar-lhe uma fusão. Diaghilev decidiu levar a companhia a Paris na primavera e convidou Nijinsky a juntar-se-lhe, como dançarino principal. A sua primeira actuação foi em 17 Maio, de 1909 no Teatro du Chatelet.

 

Nijinsky alcançou Paris como uma tempestade. Diz-se que a expressão e a beleza do seu corpo, a sua leveza como uma pena e firme como o aço, a sua grande elevação e o incrível dom de se elevar e parecer permanecer no ar, bem como a sua extraordinária virtuosidade e acção dramática, fez dele um génio do Ballet!

Em 1912, Nijinsky começou a sua carreira como coreógrafo e criou para os Ballets Russos de Diaghilev, os ballets, L'Aprés-midi d'un Faune, A Sacração da Primavera”e Till Eulenspiegel, este já produzido nos Estados Unidos sem a supervisão pessoal de Diaghilev.

O seu trabalho foi considerado audaz e original. Em 1919, com 29 anos, Nijinsky retirou do palco em consequência de um colapso nervoso, que foi diagnosticado como esquisofrenia. Viveu desde 1919 a 1950, na Suissa, França e Inglaterra, tendo morrido em Londres, em 1950 e foi enterrado perto de Auguste Vestris, no cemitério de Montmartre, em Paris.

 

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Ele tinha o coração, em França

 

São estas as voltas da vida de Nijinsky. Nascido na mãe russia onde se tornou o mais brilhante graduado da Escola do Teatro Imperial e onde foi famoso pelos seus saltos e caracterizações, acabou por viver, morrer e ser enterrado na Europa da Liberdade.

 

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A sorte não quis nada com Nijinsky, mas apesar de ter morrido em Londres, quis que fosse a França (sua pátria da liberdade) a recebê-lo no seu seio.

O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás

sinto-me: voando sobre a grande Europa
música: Kalinka, pelo Russian Red Army Choir
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publicado por Ventor às 00:41