Um dia, num verão da década de oitenta, caminhava eu por Arcos de Valdevez, naquele belo local a que chamam Campo. O tal local que, fica na margem direita do rio Vez, e cujo conjunto, Campo-Vez, terá sido, sempre, uma beleza da Natureza. Se calhar, foi a sua beleza que tramou o nosso "primo galego" ou "primo leonês" - o Afonso VII!

 

Mas caminhava eu, então, ao encontro da minha gente que andava por ali e, sob o tecto lindíssimo do meu amigo Apolo, ouvi, pela primeira vez, esta canção da Linda de Susa - "A mala de cartão".

 

 

Esta mala é mais de madeira mas, a de cartão é semelhante

 

Na altura fui levado, mentalmente, a atravessar fronteiras - as fronteiras do desconhecido - tal como a Linda de Susa e quase toda a minha gente que partiu, das minhas belas montanhas, à procura de outros sóis.

 

Por isso, e sabendo eu como muitos sofreram, na carne, o estigma da emigração, deixo aqui a bela canção da Linda de Susa, para recordar e para prstar a minha homenagem a todos que usaram a velha mala de cartão.

Eu também caminhei com uma, que tinha andado por terras de Espanha e de França e que, tal como eu, ainda teve forças para caminhar, junto comigo, fazer a "guerra" em África! E sabem uma coisa? Lamento não ter, ainda hoje, esse malinha. 

 

 

 

Deixo-vos, então, com a "Mala de cartão" da Linda de Susa.

O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás

publicado por Ventor às 21:06